Múltipla escolha

vento

Às vezes, acho que a vida é feito uma prova, cheia de pegadinhas e armadilhas. Às vezes, termino o dia exausta, com a sensação de que não fui tão bem, e vou dormir com aquelas questões difíceis martelando na cabeça. Mas aí, já era! O tempo termina e o gabarito do dia precisa ser enviado ao Grande Mestre. As escolhas (das mais complexas às mais triviais) já foram feitas. A vida é uma prova que, quase nunca, permite rascunho e quase sempre, é uma questão de escolhas múltiplas.

Ok, a questão-chave de hoje foi relativamente fácil. Sei que muitos tirariam de letra e responderiam de olhos (e coração) fechados. Era óbvio, alguém me disse, tal como dois e dois são quatro. Pena que sou de humanas. Pra escolher uma alternativa, tive que reler uma longa história que me pertence. Algo que dizia respeito à paixão repentina, expectativas desleais e total abandono. Balancei a cabeça, em sinal negativo, retruquei quando li o nome dos dois protagonistas. Essa história infeliz nunca termina?

Mas a bandida da vida é engraçada. Há mais de um ano não respondia questões assim, e ali, de repente, interrompendo meu cochilo da tarde, ela trazia uma nova charada, e quem sabe, uma última chance, de acertar e reescrever meu Grand Finalle. Retomei a leitura de uma história sofrida, e, enfim, quando no último parágrafo, o rapaz de dupla personalidade descobre que a mocinha não irá ao seu encontro, dispara, como há tempos não fazia: “sentirei sua falta” …

Na sala de aula, um minuto de silêncio. Quase não acreditei na sorte grande. Essa eu estudei bastante!

1) Qual a resposta correta para essa afirmativa?

  1. A) dar um sorrisinho contido e falar qualquer coisa débil e fofa, já sem criar qualquer expectativa que ele responda.
  2. B) despejar toda a frieza que ele merece e que foi ensaiada a cada dia. Algo do tipo: “ok” ou, o pior dos piores termos gramaticais, o abominável: “idem”.
  3. C) Usar a melhor arma: o silêncio fatal. Visualizar a mensagem e não responder nada. Deixá-lo afundando no oco da dúvida, e, por dentro, rir o sorriso mais maligno de honra vingada.

Respirei fundo.

Pode parecer improvável, mas essa questão exigia cálculos. Tive que contar quantas noites foram mal dormidas, quantas lágrimas foram desperdiçadas, na tentativa de ponderar a melhor solução. Comecei a divagar sobre as relações humanas, sobre a pirâmide de Maslow e suas motivações, e acabei me perdendo no território dos sentimentos. Longe de qualquer frieza calculista. Perto demais da minha mais pura essência. E foi assim que eu marquei a pior alternativa.

Sim, sim. Letra A de Alternativa Errada. Letra A de A menina que não sabe ser má. É o que temos pra hoje. Como sempre minhas escolhas insanas (e humanas) me rendem ótimas redações. Quem sabe acerto na próxima prova surpresa.

Biocamila

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