Apenas se conecte

Libelula

Há uma semana o país, quase que em sua totalidade, enterrava o cantor Cristiano Araújo e sua namorada, Allana Moraes, em um clima saudosista; também há uma semana, a morte de um primo com o qual cresci junto, lucas arantes, fez quatro anos. lembro que seu funeral foi de muita revolta, muito cheio, graças à sua relativa popularidade (líder de torcida organizada). três jovens. três vidas que se foram numa efemeridade muito grande. foram passagens tão rápidas que nosso choque, enquanto sociedade vangloriadora da juventude e do belo, é violento demais pra acreditar no fim abrupto dessas pessoas. talvez o que choque mais ainda seja o fato de que esses três personagens eram criaturas populares. nesse casos em específico, o mito da imortalidade se faz ainda mais presente. como o herói, forte e desbravador, poderia morrer, assim, no clímax??!

Cristiano Araújo, sertanejo já bastante influente, Allana, a menina com estigma de ”namorada do cristiano araújo”, aspirante à medicina, estudante de cursinho de elite, e lucas, o rapaz a algumas semanas do seu aniversário de 18 anos, cuja torcida organizada vilanovense liderava. bom… fato é que os herois partiram sem bilhete de volta.
mês passado saiu uma pesquisa que indicava uma provável cura para o vício de drogas. o autor da pesquisa não falava em vício, e sim de ligações erradas estabelecidas pelo sujeito. no caso, o foco à droga se sobrepõe a todo o resto que forma a vida (família, amigos, passa tempo favorito…) mas o que a morte precoce desses meninos e essas tais ligações têm a ver?
nós, crianças pretensiosas, carregamos conosco uma série de falsos hedonismos: somos tão incansáveis em nossa busca do mais, do material, estamos tão impregnados aos efeitos das redes sociais e, portanto, daquelas amizades fakes láááá do orkut, sabe?!, do se “mostrar quem é mais feliz” , das festividades efêmeras e pouco produtivas, dos amores líquidos (a lá Bauman), passageiros demais, nos quais as trocas não passam de porra e saliva, que vamos perdendo nossa identidade, perdemos a coisa mais linda que existe dentro de nós: nosso eu. e, se somos semelhança do outro, esse outro perde seu devido valor, porque nós mesmos deixamos de nos dar valor. nisso, passamos a lembrar das nossas qualidades só quando nosso semelhante se vai. aí sim ele volta a ser estrelinha, com todo o brilho que lhe for possível de ser atribuído. aí sim é aplaudido.

Enquanto não enxergarmos o próximo como ser humano, percebendo a delicadeza e singularidade presentes em cada um, não aprenderemos a lidar com a morte. por que a morte é certa; a vida não! ela é instável e precisa ser vivida sob respiração lenta, olhos de águia, apreciadores da pureza inerente em cada um, e ainda algumas doses de jogo de cintura e empatia para lidar com nosso irmão que jázinho deixará de habitar este planeta. no entanto, além de absorver o que há de mais sagrado e singular em cada um (inclusive em nós mesmos), há também que se observar o que se tem de mais terrível, pra aprender a lidar, absorver e se livrar… é o Carpe Diem casado com o respeito ao limite individual..
valorize teus pais, teus avós e teus primos aparentemente imprestáveis.
amanhã a senhora morte baterá a sua porta. e sendo esse o ciclo natural, não há razões para ter pesar, para se revoltar contra a dona moça. uma vida bem vivida dispensa luto.
Se conecte. se conecte àquilo que te torna digno. essa é a coisa mais pura !!

bioalice

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