NAQUELA CAMA

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Você sempre acordava primeiro e impaciente que só nunca gostava de ficar muito tempo na cama e sempre ansiava por me acordar – mas não de um jeito carinhoso – não, você não era assim, fazia mais aquele jeito travesso de me acordar com beliscões carinhosos enquanto eu murmurava algo como “Só mais 5 minutos, por favoooor!”. Quem me dera se eu pudesse recuperar esses minutos que eu deixava passar a cada dia. Mesmo assim, os nossos dias não poderiam começar de um jeito melhor: um sorriso que me alegrava a alma e um brilho que entrava pela janela deixando seus olhos castanhos dois tons mais claros do que o normal enquanto eu ficava me perguntando como podia ter tanta sorte e como entre tantas outras pessoas, eu é que estava ali acordando do seu lado. Eu que estava ali recebendo de presente do universo aquela imagem que desbancaria facilmente a Mona Lisa de Da Vinci.  Nós ficávamos muito tempo ali, naquela cama como em um ritual de preguicinha boa, discutindo sobre eu ter virado pro outro lado ou você ter puxado toda a coberta durante a noite. Entre a dúvida de levantar ou ficar ali, como se não existisse relógio, como se não houvesse o dia de amanhã ou um mundo inteiro girando lá fora. Continuávamos conversando sobre nada ou sobre tudo, o que viesse primeiro.  Você conhecia as minhas manias e os meus vícios como só funcionar depois de um balde de café. O seu café de cafeteira na medida certa para um e que mesmo sem poder prova-lo, fazia com todo o carinho com as mesmas mãos que eu beijaria minutos depois e pelo resto da vida se fosse possível. Sabe amor, eu até me levantava mas confesso que preferia ficar me aninhando em você, num encaixe perfeito de corpos como se eu fosse aquela chave que conseguia abrir o segredo da fechadura ou como a peça final de um quebra cabeças que não se completaria sem ela. Eu me completava com você. Você era o caos. Eu era calmaria ou vice versa quando trocávamos os papéis. Você era meu calor quando eu sentia frio, a minha razão quando o mundo inteiro decidia desabar ao redor de mim, causando um efeito cascata que só você saberia entender. E desde que você decidiu que eu não cabia mais na sua cama eu sinto um frio na alma que nenhum cobertor é capaz de aquecer. Deve ser abstinência de café, ou de você, vai saber.

biome

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