Resenha ”Menina de Vinte” – Sophie Kinsella

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Tá, eu admito. Tinha um pré conceito sobre a escritora Sophie Kinsella. Achava que ela fazia a linha da Marian Keyes (que gostei apenas de um livro de uma coleção inteira e não senti nada de especial nos outros, que tinham virado best seller e tal), e não quis dar uma chance. Mas a capa do Menina de Vinte é simplesmente cativante. As cores em tom pastel, o tamanho do livro, e o desenho da garota sorridente estampado na capa me chamavam muito a atenção quando eu ia em alguma livraria ou biblioteca. Não posso negar que, apesar dos pesares, ela tinha escrito “Os delírios de consumo de Becky Bloom” e querendo ou não, eu me diverti horrores assistindo ao filme com a fofíssima da Isla Ficher. Então, no calor do momento, baixei o tal Menina de Vinte para dar uma chance.
Li em um dia. Sem brincar.
As 345 páginas são, não necessariamente nesta ordem, hilárias, intensas e surpreendentes. Sabe quando uma comédia romântica pode ter toques de mistério e uma história realmente profunda? Pois é, a Sophie consegue fazer isso sem muito esforço. Não dá para não rir com o enredo, e a personagem Lara é um retrato fiel de uma mulher de 20 e poucos anos que ainda não sabe ao certo o que está fazendo com a vida, mas simplesmente faz. Não é apenas como ela percebe que está obcecada por um ex namoro que não deu certo ou que está em um emprego com uma sócia que não está nem aí para o negócio, mas se trata de amizade e de evolução pessoal. Não, não parece com um livro de auto ajuda. Acho que é unânime entre leitoras desse gênero que Sophie Kinsella é garantia de diversão. E não poderia ser diferente, porque Lara simplesmente começa a conversar com a tia avó que morre aos 105 anos, mas que aparece como um fantasma em um corpo de 20. Daí o nome do livro.
Sadie, a tia avó enérgica e que definitivamente sabia como se divertir, convence a sobrinha-neta à procurar um antigo colar seu perdido em troca de algumas ajudas fantasmagóricas que tem sempre a ver com o ex namoro de Lara. No meio dessa loucura, Sadie cisma que quer sair com um empresário bem sucedido que acabou de avistar, e faz com que sua parenta o chame para um encontro sem nem conhecê-lo. O que eu acho engraçado é que a Lara nem pestaneja quando se trata de ajudar um fantasma de uma tia-avó que ela não chegou a conhecer em vida lhe pede alguma coisa. Essa ingenuidade é o que faz dela uma das minhas personagens favoritas de todos os tempos, e também explica o final do livro, onde ela finalmente começa a fazer o que realmente quer. Quanto ao encontro, Sadie faz com que Lara sempre saia vestida à caráter (leia-se anos 20, de melindrosa, cabelo encaracolado e etc.) e, em algum ponto, convence (com poderes de fantasma, obviamente) que ambos têm que dançar. Sério, dá até para imaginar os dois dançando Charleston até agora, de tanto que isso foi mencionado no livro.
Lara acaba conhecendo Ed, o cara que Sadie queria para si (mas por motivos de ela é um fantasma e tal, só consegue se divertir com ele quando sua sobrinha-neta sai como “se fosse ela”), e acaba se envolvendo com ele, se livrando dos pensamentos obsessivos com o ex namorado Josh. Cara, vocês não sabem como eu fiquei feliz quando isso aconteceu. Sabe aquele tipo de garota burra, que acha que o rapaz vai mudar magicamente de ideia e voltar a namorar porque, puxa, “eu ainda gosto de você”? Pois é. Não tenho paciência para isso. E era o que a Lara fazia o tempo todo. Mas enfim, a parte mais emocionante e legal do livro é a relação de amizade e de família que as duas criam. Elas passam literalmente o dia inteiro juntas e mesmo que na maior parte do tempo Lara pareça uma louca falando sozinha – e fingindo que tem um micro telefone no brinco para disfarçar a maluquice -, as duas aprendem muito uma com a outra. É aquela segunda chance que a vida dá, sabe?
No fim das contas, elas descobrem onde estava o colar, desmascaram o impostor e descobrem uma coisa sensacional e maravilhosa sobre o passado não resolvido de Sadie Lancaster. Cara, por pouco que eu não chorei. É bem legal mesmo o que acontece. Faz você torcer pelo personagem, sabe? E Lara cresce no final das contas! Depois da leitura intensa, não dá pra você não olhar a sua volta e imaginar o quanto você faria por cada um familiar seu. Muito além das sacadas geniais de Sophie Kinsella, está a verdadeira essência de uma amizade pura e genuína. Vale a pena a leitura!

Edição: 1
Editora: Record
ISBN: 9788501084927
Ano: 2010
Páginas: 496

biotalyta

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3 thoughts on “Resenha ”Menina de Vinte” – Sophie Kinsella

  1. Eu terminei Menina de Vinte ontem e posso dizer que estou com uma puta ressaca literária. O livro que ao contexto geral é para rir, ensina muitas coisas. Como vc disse, uma segunda chance.

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