Só uma garrafa de vinho, certo?

certo

Só uma garrafa de vinho, certo? Era tudo o que a gente precisava, depois de uma sessão inteira de violão e sua voz desafinada. Não adianta, toda a vez que remexo em meu passado, lá está você e seu sorriso moreno “salvando a noite” com suas manias tão ingenuamente engraçadas. Você tem esse jeito de ser genuíno, sem precisar corrigir suas falhas. Você vive, e eu apenas existo. Eu sigo à risca, você vive rabiscando. É aquele gás que faltava quando eu tinha medo de ir embora pra mais uma festa de madrugada. Eu não dizia não, eu só ia pra frente. Você me guiava, e eu bebia da sua forma de ver o mundo. Era tudo infinitamente mais colorido, mais fácil. Só precisava entender que era ali que eu deveria estar, deitada no seu peito liso, recebendo o calor da sua pele sempre quente, beijando sua boca sempre muito carinhosa. Que mesmo depois de tantos anos, continua me surpreendendo com a doçura que se movimenta com a minha, como se eu merecesse um beijo que dissesse “você é minha”, mesmo que eu nunca tenha sido. Porque sabe, mesmo depois de ser o que você queria, eu nunca fui de ninguém. Eu prefiro entender que meus pés andam sozinhos por aí, que eu beijo bocas porque eu quero, do mesmo jeito que eu danço com os quadris porque não sei não ter sangue latino. É tipo uma constatação. Você foi pra mim um começo, eu só era tímida e limitada demais para aceitar que não era só você que queria ser o “porra louca” da história. Eu também queria sair para beber até perder a consciência, também queria fumar para esquecer os problemas na fumaça e também queria sair todos os finais de semana para um lugar diferente de tudo o que existe na minha rotina. No fundo, essa sempre fui eu. Errante, mas escondida na pele de alguém que tem medo de mostrar pros olhos que as escolhas podem ser erradas. Eu vivo escutando que sou louca, mas a minha loucura, no fim das contas, é graças à você. Não seria Destino te encontrar de novo em um festa aleatória no final de uma semana sem graça, porque eu chamo isso de recomeço. Eu te vi porque você tinha que estar lá. Pra rir de novo no meu ouvido, pra segurar minha cintura do jeito que só você segura, pra falar que meus piercings são lindos, pra me apoiar nas loucuras da minha mente e pra segurar na minha coxa de leve enquanto a gente ganhava tempo se beijando. E no final da noite, enquanto você cochilava no meu ombro, pra dizer que poderia acordar daquele jeito sem problema nenhum. Não era amor. Era saudade. E hoje eu entendo isso mais do que nunca, porque a gente sempre foi um só. A noite foi vivida, a gente se mesclou, se seguiu e ela acabou. Te levou embora de novo, mas deixou comigo a sensação de que você amadureceu a parte em mim que você mesmo criou. Foi como o fim da tarde, sabe? Que aparece preguiçosamente depois de um dia bonito, e não necessariamente o complementa, mas dá um toque especial pras 24 horas experimentadas. Você é os raios crepusculares, que sempre aparecem como uma surpresa pra quem não espera a noite ainda. E eu ainda não cai nela. Eu só precisava de um último beijo seu pra entender que tá tudo bem, que aquele carinho ainda existe aqui e não vai mudar. Meu jeito coxinha vai ser sempre seu.

biotalyta

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5 thoughts on “Só uma garrafa de vinho, certo?

      1. Ah ok, como não tinha autoria pensei que fosse teu…
        Mas infelizmente há imensos autores que não seguem imensas regras basicas de português como essa. O que por vezes torna um livro maçudo desnecessariamente.
        Na minha opinião, claro
        Beijocas*

        Gostar

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