Qualquer coisa eu te aviso

celular

Em meio a uma geração que não se importa muito em trocar de relacionamentos como trocam de celular, com amores fracos e superficiais, onde é mais fácil fugir do que se entregar e sofrer por amor. “Tá, qualquer coisa eu aviso” é o mais novo clichê dos relacionamentos, quase tão batido quanto: “O problema não é você, sou eu”.   Viver não é isso? Se jogar e ver no que vai dar?

Você conhece uma pessoa, gosta da companhia dela e tenta fazer o máximo possível para passar mais tempos  juntos  ou então quer retomar aquele contato com alguém que já não faz mais parte da sua vida – não por escolha sua claro! E assim, são incontáveis os convites para almoços, jantares, cinema, festas, bares e afins e sempre com a mesma resposta. Essa frase solta que fica pairando no ar por um bom tempo e pra quem espera, é uma eternidade. E a gente se pergunta: Porque a pessoa não fala logo um NÃO e facilita a vida? Ser claro não irá necessariamente fechar uma porta para sempre, mas talvez abrir outras futuras.

A resposta é que o  mundo tem aproximadamente sete bilhões de pessoas e é cheio de possibilidades, uma delas pode ser melhor que você, simples assim. Por isso, você fica na reserva, em banho-maria esperando uma resposta  que nunca vem. Um plano B para o caso de todas as outras opções estarem ocupadas ou caso (mais provável) essa pessoa receba um “Tá, qualquer coisa eu aviso” também. Caso contrário, você continua ali no banco da vida só assistindo os titulares jogarem e esperando a sua vez de poder brilhar e mostrar seu valor.

O ciclo vicioso de conhecer alguém e ficar naquela coisa de não atender ao telefone até o terceiro toque continua, não ligar no dia seguinte, não transar no primeiro encontro pra não parecer fácil ou então o mais novo manter – a – pessoa – na –  reserva –  caso –  não –  encontre –  nada –  melhor –  para –  hoje é extremamente cansativo. Um cansaço que só aumenta com o passar do tempo e que resulta pessoas vazias que passam pela vida sem acrescentar nada, em pessoas estressadas e deprimidas que por medo, não se abrem para novas possibilidades.

Às vezes é muito difícil dizer um NÃO em claro e bom tom, mas também não é preciso alimentar esperanças em alguém que te queira bem e que provavelmente poderia viver muito bem sem você, mas entre várias opções te escolheu para partilhar um pouco do seu tempo, confiou a ti um pouco do que está na sua alma, no seu interior. Então por mais que seja difícil essa pessoa merece ao menos um pouco de consideração. Como você vai conhecer alguém verdadeiramente se não dá a ela uma oportunidade para ela se mostrar?  E se eu me jogar e não der certo? A gente vai seguindo entre tentativas, erros e frustrações, afinal, viver não é isso?

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