Apenas admita.

sozinha

Ficar pensando em como poderia ser se eu tivesse ficado naquele dia. Tentar entender os motivos e as razões de nossas atitudes e escolhas. Negar para os outros que não existe nada. Mentir no espelho que passou. Sentir a boca amarga de tantas mentiras. Ou de tanta saudade. Nada disso pode mudar os fatos. Nada mais pode mudar. Somente aquilo que eu tenho controle. Só o que está dentro de mim. Só isso posso mudar.

Percebi que, de tanto negar, deixei tudo ser preenchido com mágoas e dor. Fiz questão de jogar tudo fora. Tudo que poderia me fazer lembrar das coisas boas, que poderia servir de apoio caso a saudade insistisse em ficar. Tudo no lixo. Mas, certas coisas não podem ser descartadas assim.

Todos os dias pensava em você e no que aconteceu. Mas, como me livrei de tudo bom, lembrava apenas do mal. Todos, na intenção de protegerem, me envenenaram. E, fui deixando toda essa mágoa tomar conta e me cegar diante de muitos erros e motivos. Me envenenei, pensando que assim seria mais fácil.

Durante todo esse tempo me apeguei em detalhes e em tudo o que acontecia em volta, só para conseguir ter menos tempo de pensar em você, na nossa história e nas nossas atitudes. Em atos de desespero, deitei em muitas camas, recebi muitos abraços, criei a minha bolha, trabalhei como se não houvesse amanhã, chorei de rir, busquei me conhecer mais, gritei, briguei, tentei coisas novas, bebi até morrer, parei de beber, cortei diversas vezes o cabelo, mudei minhas roupas, mudei todas as músicas, evitei muitas delas, estudei coisas novas, menti, machuquei pessoas, até de emprego troquei. Tudo. Fiz tudo o que podia só para conseguir te esquecer ou provar que eu também conseguiria, longe de você. Sim, eu consegui. Mas, e agora? Você nem está mais aqui para ver tudo isso. Só me restou pensar em tudo de novo.

Percebi que, apesar de toda a dor que ficou, eu ainda tinha mais motivos para lembrar das coisas boas. Evitei, porque sabia que iria doer mais. Mas, talvez seja melhor assim. Eu nunca vivi nem um terço do que eu experimentei com você. Todos os dias foram perfeitos e me preencheram demais. De uma forma estranha, eu sabia que cada dia seria único e que eles não iriam permanecer por muito tempo. E, todos os dias que acordávamos juntas, eu sentia isso cada vez mais forte. Com essa mesma consciência, preferi viver cada dia como o último. E fui intensa até onde consegui ser. Quando percebi que o fim estava, de fato, se aproximando, fraquejei. Toda aquela consciência foi embora e ficou o desespero de tudo ser verdade. Então, fui embora. Não iria conseguir manter isso durante muito tempo. Passei a acreditar em coisas que não fizeram parte de nós. Mantendo-as como verdade, em um ato de fuga.

Talvez ainda doa muito saber que você me amou e que por eu não saber exatamente como isso poderia ser, fui deixando você escapar a cada dia. Apesar das minhas escolhas, eu sei também o quanto te amei e o quanto você sempre fez parte de tudo, mesmo sem querer. Quero carregar isso. Lembrar que víamos a alma uma da outra ao olharmos em nossos olhos. Lembrar daquele choque que sentíamos em darmos as mãos. Lembrar de você me acordando ou me cobrindo. Lembrar dos abraços nos momentos que mais precisamos. Da força que demos uma a outra em nossas escolhas. Das risadas mais espontâneas que poderíamos ter tido. Das conversas mais profundas e até daquele silencio de paz, só por estarmos perto. Do seu ombro como travesseiro, apoio e carinho. Daquele calor repentino que sentíamos em cada toque, beijos, palavras. Daquela saudade de passarmos o dia longe. Daquela ansiedade em saber que a noite nos encontraríamos novamente. Mal sabíamos que estávamos construindo, de fato, algo real em nossas vidas. Foi por tudo isso que cheguei onde estou, mesmo sem querer.

E, dói saber que prometi que ficaria por perto quando você me pediu. Eu queria ter ficado. Mas, precisei virar as costas no momento que, talvez, você mais precisasse. Desculpa, mas eu não conseguia enxergar muitas coisas. Acho que eu só precisava admitir o quanto você ainda faz falta. Mas, o que passou calou e, o que virá, dirá.

Passei muito tempo tentando evitar tudo isso, mas agora é a hora. Quero chorar tudo o que estava preso aqui. Quero lembrar de tudo que vivemos, porque todos esses dias foram mágicos. Quero lembrar de você com o mesmo carinho. Eu admiro a sua coragem e vontade de mudar. E, saiba, mesmo longe, eu continuo torcendo por você e pela sua felicidade. Você foi e é muito importante na minha vida. Não poderia ser diferente.

A cada dia me apego em algum detalhe que ficou, para deixar essa mágoa ir embora. Quero ser livre e te deixar livre, de vez. Só nós sabemos de tudo isso e, vai ser sempre assim. Só eu sei o que sinto aqui dentro e, a partir de hoje, toda vez que alguém me perguntar, não vou mais mentir. Vou admitir que tivemos momentos bons. Vou admitir o quanto eu te amei e, vou te defender de todo julgamento que possa existir. Só você sabe o que sente aí dentro e, ninguém pode te proibir disso. Ninguém pode dizer que você foi errada. Ninguém pode te julgar, nem mesmo eu.

Só precisava admitir o que, por muito tempo, insisti em negar.

 

ca1

 

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