Nossa despedida

 

despedida

Você me disse que se fosse pra eu lembrar da nossa despedida era pra me lembrar exatamente como se fosse nesse dia e eu continuo revivendo sempre e sempre na esperança de guardá-lo como um filme pra não perder nenhum detalhe; nenhuma cena porque você sabe que se fosse pra eu ser uma personagem, com certeza seria aquela peixinho esquecida do filme Nemo. Qual era mesmo o nome dela?

É, sou meio Dory e as lembranças têm essa mania feia de escapar de mim vez ou outra ou então se embaralharem com outras memórias para se manterem vivas dentro da minha cabecinha oca. Minhas memórias são como borboletas sempre querendo fugir. Logo eu, que nunca fiz questão de guardar detalhes de ninguém, faço um esforço danado para os seus não fugirem.Você sempre dizia que se sentia em um filme quando estava comigo, pra mim se fosse pra escolher um gênero, seria uma comédia romântica com muito e  muito drama.

Nossa rotina no fim de cada encontro era se despedir ali, nossos destinos em lados opostos da estação assim como nossas vidas. Tão diferentes. Até perdi a conta de quantas vezes nos despedimos naquele mesmo lugar onde você brincava que até já tinha o nosso cheiro. Dessa vez, parecia tudo tão estranho e tão fora do lugar, como se eu estivesse assistindo a tudo de fora. Dessa vez, parecia realmente, a nossa última vez. Talvez por isso minha insistência em aproveitar cada segundo de você,  rezando para não acabar.

Estávamos ali esperando e eu insistia na esperança de um beijo que não veio, que me negava veementemente. Em um piscar de olhos, você saltou dos meus braços para o vagão do metrô e sumiu. Fiquei meio imóvel sem saber o que fazer e para onde ir dali. Seria realmente a última vez que te veria? O destino então iria decidir por mim e ele sendo bom comigo mais uma vez, para que me restasse ao menos uma lembrança boa de nós, decidiu a meu favor.  O telefone tocou e eu disse achando graça:

– Foi pro lado errado né?

– Pois é, pra variar. Você ainda está ai?

– Sim, estou aqui no mesmo lugar.

-Então fica aí, que estou voltando.

– Ok, continuo aqui no mesmo lugar.

Encostei e esperei. Te esperaria uma eternidade se fosse preciso.

Quando te vi saindo daquele vagão senti meu coração aos pulos como se não te visse a dias. Você veio direto ao meu encontro. Sorri e disse ” Você veio me fazer sofrer mais um pouquinho é?” e você respondeu: Não, vim pra isso e me calou com um beijo enquanto eu agradecia a Deus e ao destino mentalmente por me deixar passar mais um tempinho contigo. Aquele beijo seria o nosso pra sempre, que acabava naquele momento como em um  filme, só que sem um final feliz, como as boas histórias de amor.

“Então eu assistirei sua vida em fotos, assim como eu observava você dormir e eu sentirei você me esquecer como eu costumava sentir você respirar…”

biome31

 

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