Sobre aquelas noites…

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Leia ao som de Kid Abelha: No seu Lugar

Eu falo daquelas noites.

Que encerravam mais cedo e os copos ficavam pela metade. Eu alegava cansaço, você trabalho.
Um tchau até amanhã para os amigos, um movimento discreto para a saída, a diferença calculada dos minutos e o rumo anunciado jamais alcançado.Tínhamos essa mania boba de mudarmos o caminho na metade e nos encontramos mais adiante.

Num bar qualquer escolhido por acaso, a noite começava enfim.
Tirávamos as fantasias vida lado B e as máscaras de socialmente adequados. Jogávamos ali num canto por perto, já que teríamos que vesti las de novo ao final.

Você soltava os botões da camisa e eu soltava o cabelo. O garçom abria a cerveja, eu abria o coração e você abria um sorriso.
Trocava a cerveja, trocava a história, mas o seu sorriso permanecia.

Sua felicidade era autêntica, e isso me enternecia.

Não havia horários, obrigações, tédio, disfarces, posturas, medo, omissão, segredos. Ali tudo se revelava, eramos o que eramos e amavamos o que éramos. O tempo parava para o nosso tempo.

O que era suposição ou mentira para o mundo, para nós era como soltar o ar depois de dias prendendo a respiração.

Tínhamos apenas uma noite, e fazíamos dela uma eternidade.  Nos sentíamos bem. Nos sentíamos imortais.

Eu falo daquelas noites que buscávamos a aventura de sermos nada além de nós mesmo. E fomos surpreendidos.

Eu te admirava e você se encantava. A cada toque dos dedos um brilho surgia e fazíamos confissões ocultas com os olhos. Era tanta a verdade em sintonia,  que o amor não teve opção a não ser nascer dali dessas noites.

Sem culpa, sem freio e sem medida.

E já embriagados, o prazer do conforto dava espaço pro desejo do instinto.
Parte dois de uma única noite com sabor de para sempre.
Um quarto. Sempre diferente do anterior porque apagar rastros era nosso desafio aos deuses. Nossa heresia. Nossa loucura apaixonada.

Tesão,  suor, mãos,  beijos, cabelos, barba, pernas, coxas, pele, gozo, transe, frenesi, língua,  lábios,  gemidos, meu corpo, seu corpo.Abraços fortes, carinho depois.

Saciados. Contentes. Relaxados.Uma cerveja, um cigarro e já era bom dia.
Fecha o botão da camisa,  prende o cabelo. Veste roupa, fantasia e máscara. Esconde o sorriso que era traído no olhar.
Finalmente rumo ao premeditado.

Hora de fingir estafa, disfarçar e esconder o bom humor; que a saudade já começava a bater.
Ao partirmos um até logo sem data marcada. Nossa hora se dava no peito e não se agendava em relógio. E magicamente era sincronizada.

Eu falo daquelas noites que davam energia pros dias da semana. Que geravam sussurros alheios, atraia olhares curiosos, mas não passavam de boatos. Que dava força ao cotidiano,  alento aos momentos pesados, era um lugarzinho oculto na memória para onde fugíamos com a mente quando o dia a dia chateava.

Eu falo daquelas noites que sempre voltávamos quando só lembrar não satisfazia mais.

Eu falo daquelas noites que me voltam ao pensamento como se fosse ontem. E hoje nenhuma outra noite tem aquele infinito.

E que sobre elas, aquelas noites,  eu nessa noite te escrevo.

biokenira

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